A Luta pela afirmação do Futebol Africano – As primeiras edições do CAN – Anos 70 (Parte 4)

No ano de 1970, o CAN retornaria ao país onde tudo começara em 1957, o Sudão, esta seria a sétima edição da prova.
E tal como na competição anterior, o formato de oito equipas divididas por dois grupos de quatro, manteve-se.

A Guiné-Conacri faria a sua estreia e juntar-se-ia a Costa do Marfim, a Etiópia, a Gana, a República Árabe Unida, a Camarões e a Congo-Kinhasa, já o Sudão estava na qualidade de anfitrião.

Na primeira chave, a Costa do Marfim e o Sudão ficariam com os mesmos pontos do que os Camarões, todos com 4, mas o diferencial de golos faria com que os Leões Indomáveis ficassem para trás.

Os marfinenses ganhariam dois jogos, 6-1 frente à Etiópia e 1-0 diante do Sudão, mas perderiam o compromisso com os camaroneses por 2-3.
Os Camarões venceriam à Etiópia por 3-2, e à Costa do Marfim pelo mesmo resultado, mas perderiam 1-2 diante do Sudão.

O Sudão ganharia o confronto directo com a formação camaronesa por 2-1, perderia por 0-1 com a Costa do Marfim, mas viria a registar um triunfo por 3-0 sobre a Etiópia.

Do outro lado, a República Árabe Unida ganharia o grupo com duas vitórias, 4-1 sobre a Guiné-Conacri e 1-0 sobre o Congo-Kinhasa, tendo empatado a 1-1 com o Gana.

Os ganeses que ficariam em segundo lugar no grupo, empatariam dois jogos a 1-1, tanto com a Guiné-Conacri, como com a República Árabe Unida, mas ganhariam 2-0 ao Congo-Kinhasa.

Nas meias-finais, os Black Stars bateriam a Costa do Marfim no prolongamento por 2-1, e avançariam para mais uma final, procurando a terceira conquista, um feito inédito naquela altura.

E iriam medir forças com o Sudão, que tinha superado a República Árabe Unida no prolongamento, por 2-1.

Entretanto, os egípcios assegurariam a terceira posição com uma vitória por 3-1 sobre a Costa do Marfim.

E na final, a quarta consecutiva do Gana, os anfitriões, lograriam a desforra de 1963, quando perderam em Acra, por 3-0, ao vencerem por 1-0, diante dos Black Stars, conquistando um feito marcante para o povo sudanês, o seu primeiro e único CAN até os dias de hoje. Curiosamente, esta foi a primeira edição da competição a ser transmitida pela TV.

Foto Twitter Sudanese Culture

O melhor marcador da prova tornaria a ser o avançado da Costa do Marfim, Laurent Pokou, que depois da edição de 1968, aumentaria de 6 para 8 o número de golos anotados, a juntar ao prémio de artilheiro máximo também seria considerado o jogador mais valioso do torneio.

Virada a página do Sudão, a próxima paragem seria nos Camarões, para a oitava edição do CAN, em 1972, com o formato a não sofrer alterações.

Quanto às selecções, havia recém-chegados, o Quénia e a selecção de Marrocos, ausente desde que optara por não participar em 1962 na competição realizada na Etiópia, havia ainda o Congo-Kinhasa a jogar com o nome de Zaire, nomenclatura que iria vigorar de 1971 até 1997.

O Mali, o Togo e o retorno do Congo-Brazzaville, que não estivera no Sudão em 1968, mas que apareceria como República Popular do Congo, um estado marxista-leninista, que nasceria na sequência de um golpe de Estado, e que resultaria na queda do então presidente Alphonse Massamba-Débat, com Marien Ngouabi a assumir o poder, tornando esta nação na primeiro nação comunista do continente, dando-lhe o nome previamente referido.

Foto CAF Online
República Popular do Congo

Falando da competição em si, Camarões e Mali avançariam com os camaroneses a ganharem duas partidas, por 2-1 sobre o Quénia, e por 2-0 sobre o Togo, e a empatarem com o Mali.

Os malianos passariam porque teriam 3 empates todos a 1-1, mas como o Quénia, e o Togo averbariam uma derrota, seriam eles a ficar de fora.

No alinhamento contrário, apurar-se-iam o Zaire com dois empates a 1-1 e uma vitória por 2-0 sobre a República Popular do Congo, e o Congo que venceria sobre o Sudão por 4-2, perderia por 2-0 frente ao Zaire, mas empataria com Marrocos.

Marrocos ficaria para trás porque só registara empates a 1-1.

Nas meias-finais, a República Popular do Congo triunfaria por 1-0 sobre os Camarões, enquanto o Mali derrotaria o Zaire por 4-3 no prolongamento.

No jogo de terceiro lugar, os Camarões viriam a golear os zairenses por 5-2. E a República Popular do Congo, sagrar-se-ia campeã pela primeira vez ao bater o Mali por 3-2 na final.

O jogador do Mali, Fantamy Keita, seria o goleador máximo do CAN, com 5 golos, mas François M’Pelé da República Popular do Congo seria tido como o jogador mais valioso da prova.

A nona edição da principal competição do futebol africano, marcaria o retorno ao palco do CAN, em 1959, o Egipto, que deixara de ser a República Árabe Unida em 1971. A competição também marcaria a estreia da Zâmbia, da República da Maurícia, a segunda participação da Guiné-Conacri, o regresso do Uganda, de fora desde 1968, e teria ainda a presença do Zaire, da Costa do Marfim, e dos campeões, República Popular do Congo.

O formato tornou a não mudar.

Na primeira chave, o Egipto e a Zâmbia superariam os adversários, com o Egipto a totalizar 6 pontos, com três vitórias, 2-1 sobre o Uganda, 3-1 sobre a Zâmbia e 2-0 sobre a Costa do Marfim.
Já a Zâmbia acabaria por registar 4 pontos, com duas vitórias sobre Uganda e Costa do Marfim por 1-0, e uma derrota por 1-3 com o Egipto.

Na chave oposta, A República Popular do Congo e o Zaire, passariam ambos com uma diferença pontual de 1 ponto, 5 para 4.
Os campeões ganhariam por 2-1 contra o Zaire e por 2-0 sobre a República da Maurícia, isto além de terem empatado com a Guiné-Conacri a uma bola.

Por sua vez, o Zaire perderia por 1-2 com a República Popular do Congo, mas ganharia por 4-1 sobre a República da Maurícia e 2-1 sobre a Guiné-Conacri.

Nas meias-finais, o Zaire iria gelar o Cairo, ao ganhar por 3-2 sobre os anfitriões, enquanto a Zâmbia protagonizaria o outro choque, ao eliminar os campeões, a República Popular do Congo no prolongamento por 4-2.

No jogo de terceiro lugar, o Egipto golearia a República Popular do Congo por 4-0.

O Zaire estava em busca do primeiro título com o nome de Zaire, recorde-se que o Congo-Kinhasa tinha sido campeão em 1968, na Etiópia, e pela frente tinha a Zâmbia que também nunca tinha vencido nenhum CAN.

As duas formações teriam de disputar um encontro, um empate a 2-2.

E teriam de repetir a partida num segundo duelo, algo inédito na história da prova, com um adepto muito especial nas bancadas, o lendário Muhammad Ali, que tinha uma ligação com o Zaire por causa dos seus treinos lá, e o célebre ‘Rumble in the Jungle’ com George Foreman.

O Zaire registaria uma vitória por 2-0 sobre a Zâmbia, coroando-se campeão.

Ndaye Mulamba seria nomeado o jogador mais valioso do torneio, bem como o melhor marcador da competição com 9 golos ao todo.

Em 1976, o CAN regressaria por uma terceira vez à Etiópia para a realização da 10.º edição. Recorde-se que o país tinha organizado a terceira edição em 1962 e em 1968 tinha organizado a sexta.

Um formato novo foi introduzido, haveria 2 grupos de quatro, mas no final tudo seria decidido noutra ronda que agrupava 4 equipas que jogariam entre si para determinar o campeão.

Num dos grupos, Guiné-Conacri e Egipto, qualificar-se-iam para a fase seguinte, bastando para tal duas vitórias da Guiné-Conacri por 2-1 sobre a Uganda e sobre a Etiópia, e um empate com o Egipto a 1-1, e dois empates dos Faraós, além de um triunfo por 2-1 sobre o Uganda.

Enquanto do outro lado seriam Marrocos e Nigéria que se iram apurar para a ronda decisiva.

Os Super Eagles estavam de retorno, depois da ausência prolongada que durou desde 1963, aquando do CAN no Gana.

A selecção nigeriana bateria o Zaire por 4-2 e o Sudão por 1-0, mas perderia com Marrocos por 3-1. Já Marrocos derrotaria o Zaire por 1-0 e a Nigéria por 3-1, mas viria a empatar a 2-2 com o Sudão.

Na ronda decisiva, seriam disputadas 3 partidas para cada das 4 equipas apuradas para aquela fase.

A equipa que sairia dali com o troféu do CAN nas mãos seria a selecção dos Leões do Atlas, pela primeira vez, tendo alcançado 2 vitórias, 2-1 contra o Egipto e 2-1 contra a Nigéria, mas obtendo um empate contra a Guiné-Conacri.

Foto CAF ONLINE

A Guiné-Conacri foi a segunda selecção que melhor se portou nesta ronda final, com um empate a 1-1 com a Nigéria, uma vitória por 4-2 sobre o Egipto e outro empate a 1-1 com Marrocos.

O artilheiro máximo da competição seria atribuído a Mamadou Aliou Keïta, da Guiné-Conacri, e o prémio de jogador mais valioso seria dado ao marroquino, Ahmed Faras.

A última edição do CAN dos anos 70, foi a 11.º no total, e foi disputada pela segunda vez no Gana, depois da quarta edição ter ali sido organizada em 1963.

Para esta competição o formato voltaria a ser mudado, desta vez abolir-se-ia o conceito da ronda decisiva disputada a 4, e passaria a ser novamente utilizado o modelo anterior de meias-finais e final, de resto continuariam os dois grupos de 4.

A Tunísia que estivera ausente desde que organizara o torneio em 1965, regressaria ao lote de equipas qualificadas.

O Alto Volta, que futuramente viria a chamar-se Burkina Faso, faria a sua estreia, depois de conseguir suplantar o Mali, que fora desqualificado na fase de qualificação, por comportamentos inaceitáveis num jogo com agressões protagonizadas pelas forças policiais e pelos seguranças do estádio a membros oficiais.

Além disso, houve ainda a desqualificação da Costa do Marfim por uso de um jogador que não estava apto para ser utilizado.

Portanto, participariam desta competição, os anfitriões, Gana, a República Popular do Congo e a Zâmbia, que não tinham ido à Etiópia, o Uganda, a Tunísia, o Alto Volta, a Nigéria e os campeões, Marrocos.

Numa das chaves quem se iria qualificar seria a Nigéria e o Gana, com uma diferença pontual de 1 ponto. A Nigéria tendo obtido triunfos sobre o Alto Volta por 4-2, e um empate 1-1 com o Gana e outro com a Zâmbia.

Já o Gana, ganharia por 2-1 sobre os zambianos e por 3-0 sobre o Alto Volta, porém, empataria a 1-1 com a Nigéria.

E no outro alinhamento, a Uganda e a Tunísia seriam as duas selecções a superar a fase de grupos, com o Uganda a ter os mesmos pontos do que a Tunísia, mas o diferencial de golos a fazer a distinção que iria justificar o porquê de uma passar em segundo e a outra em primeiro.

O Uganda tinha obtido dois triunfos sobre a República Popular do Congo por 3-1, e sobre os campeões, Marrocos, por 3-0, mas perderia 3-1 com a Tunísia.

Enquanto a Tunísia, empataria a 1-1 com Marrocos, venceria por 3-1 sobre o Uganda, e registaria um nulo com a República Popular do Congo.

Nas meias-finais, o Gana iria eliminar a Tunísia por 1-0, por seu turno, o Uganda mandaria para casa a Nigéria por 2-1.

A Nigéria garantiria o terceiro lugar com um abandono no terreno por parte da Tunísia, que em protesto pela arbitragem, forçaria a desistência, dando a vitória aos Super Eagles, e também recebendo uma punição que não permitiria com que jogassem no torneio seguinte.

De regresso a mais uma final, os anfitriões queriam repetir a conquista de 1963 em casa, mas sabiam que tinham o Uganda pela frente.

2-0, acabaria por ser suficiente para o Gana ficar com o troféu Abdel Aziz Abdallah Salem, de forma permanente, como recompensa, por ter-se tornado na primeira equipa da história a vencer o CAN pela terceira vez.

Foto Facebook Ghana the Black Star of Africa

O melhor jogador da prova foi o ‘Golden Boy’, Abdul Razak , por sua vez, o prémio de artilheiro máximo seria dividido entre três jogadores que acabariam por anotar 3 tentos, Opoku Afriyie, Segun Odegbami e Phillip Omondi.

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